quarta-feira, 14 de junho de 2017

Improvised Music with a Textural Focus: Creative Sources




For years, the prolific Portuguese label Creative Sources has released challenging sets of improvised music with a distinctly textural focus. The label, founded and run by violist Ernesto Rodrigues, is home to an aesthetic of nuanced improvisation open as much to pure sound as to empty space. Because its extensive catalogue includes work by some of the top free improvisers active in Europe and elsewhere, it’s only natural that it would encompass a broad spectrum of approaches to improvisation. Nevertheless many of the releases share a meticulous concern with striking and maintaining an architectural balance of forces no matter how many or few musicians are playing, or how unconventional the sounds. Three of the label’s recent releases are consistent with this well-developed aesthetic strategy. Daniel barbiero (Percorsi Musicali)

terça-feira, 21 de março de 2017

CULTO CILCUITO

photo: Melanie Pereira


[…] A “triple bill” arrancou no Armazém 22 com o Lisbon String Trio de Ernesto Rodrigues, Miguel Mira e Alvaro Rosso, contrabaixista do Uruguai residente na capital portuguesa. Com estes intervenientes, gerou-se a expectativa de que o grupo de cordas trabalhasse na área de fronteira ente as duas grandes correntes da música de câmara improvisada, aquela que segue as premissas texturais e tímbricas do reducionismo, de que Rodrigues é entre nós o principal cultor, e a que é fiel às lógicas narrativas e de fraseado da livre-improvisação original (Mira é também membro do Staub Quartet, com Carlos “Zíngaro”, Hernâni Faustino e Marcelo dos Reis). Assim sucedeu, e com um espírito colectivista que foi fundamental para os desenlaces: um dos executantes atirava com um som, outro acrescentava-lhe um mais e com o terceiro completava-se um acorde. Foi quase sempre este o procedimento construtivo utilizado, em plena interacção e sem solos convencionais, indo do muito simples, cru e despido até complexas filigranas, estabelecendo um («raro», como dizia Paulo Alexandre Jorge na apresentação) mundo pós-clássico e pós-jazz. Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

CATCHING UP WITH ERNESTO RODRIGUES


photo: Ernesto Rodrigues & Fred Lonberg-Holm

Ernesto Rodrigues has a formidable discography. After launching Creative Sources in 2001 to begin documenting his own music, the label has grown to become an icon of free music—especially music preoccupied with silence and space, texture and timbre. As the label has expanded to encompass more artists, Rodrigues has continued to release his own projects and collaborations with musicians from across the globe. Now, more than 15 years later and with over 100 releases to his name, it can be intimidating to approach Rodrigues’ oeuvre. But it would be a shame to avoid it for fear of not knowing where to start.

Though all born of the same musical sensibility, Rodrigues’ discography could be grouped according to the varied approaches he takes to free improvisation. There are his large group experiments like Variable Geometry Orchestra, IKB, or Suspensão; his lowercase pursuits with musicians like Martin Küchen, Heddy Boubaker and Radu Malfatti; and livelier, more ‘traditional’ interplay on early discs like Multiples or recent releases with musicians like Roland Ramanan, Biliana Voutchkova, and Phillip Greenlief.  There are also long-form engagements: with electroacoustic music and the use of computers and electronics in improvisation; with other strings, pushing ceaselessly against conservatory conceptions of string instruments and their place in music; and ongoing dialogues with close musical comrades like Carlos Santos, José Oliveira, Nuno Torres, and his son, Guilherme Rodrigues, who has appeared on many of his albums, dating back to the first Creative Sources release. 


Regardless of the specific approach, there’s an aesthetic that underlies all of Rodrigues’ music, one that values the space that surrounds him as much as the music he then puts into it.  It also values the spaces between sounds and gestures, constantly weighing the balance between what exists in the moment before a musical act and what that act might add. David Toop writes in Into the Maelstrom that “music is a respiratory motion – created in the moment of action then fading away – and through that common bond of presence and absence all sounds are connected.” Thinking of music in terms of breathing—especially improvised music like Rodrigues’—has a certain appeal: something about sound as an exhalation; about silence as the corresponding inhalation, a necessary rest between sounds pushed out into being (and from which all is drawn in that gives those sounds meaning); about organic and corporeal rhythm, tied not to strict tempo but to the thrumming energy that marks the very state of being alive. Dan Sorrells (The Free Jazz Collective)

sábado, 7 de janeiro de 2017

NEWS FROM CREATIVE SOURCES


photo: Rui Silva


New from Creative Sources Records, {the} nature {of things} likes to hide [CS393]. A layered composition by Ernesto Rodrigues (viola) and Guilherme Rodrigues (cello), responding to two foundation tracks by me on prepared bass and granular synthesizer, respectively. As always, Ernesto and Guilherme play sensitively and appositely. (What is it that hides its nature? The double bass, first through preparations and extended technique, and then through granulation.) Daniel Barbiero (danielbarbiero.wordpress)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

CREATIVEFEST: MEDIDOR DE TENDÊNCIAS


photo: Fred Lonberg-Holm, Ernesto Rodrigues & Miguel Mira

A décima edição do festival da editora Creative Sources serviu, mais uma vez, para perceber por onde vão os caminhos da música improvisada e de como nesta área não existem cartilhas. Aqui ficam algumas palavras sobre o que a jazz.pt ouviu…
Com solos, duos, trios e um “ensemble” reunindo uma boa quantidade dos músicos improvisadores em actividade na região da Grande Lisboa, o Creative Fest realizou entre 17 e 19 de Novembro passado a sua décima edição. Nesta concentrou todos os concertos num único espaço, o que a Miso Music recentemente abriu em Belém (O’Culto da Ajuda) e que, além de uma programação especializada na área da electroacústica “erudita”, vem igualmente abarcando alguma música composta no próprio instante da execução. Esta cumplicidade foi, de resto, assinalada por Miguel Azguime, responsável do O’Culto e nome maior da música contemporânea em Portugal. Referiu este numa breve introdução as suas já antigas ligações com Ernesto Rodrigues, o patrão da editora Creative Sources, e o comum esforço por lutar contra a asfixia das práticas musicais que não são abarcadas pelas leis do mercado e nem por isso encontram lugar nas políticas culturais dos sucessivos governos.
Em todos os momentos foi clara a conexão de mais este Creative Fest com a actividade da Creative Sources. Exemplos claros foram os concertos da dupla Luís Lopes / Fred Lonberg-Holm, que nesta etiqueta tem disco acabado de sair, “The Pineapple Circumstance”, de Manuel Guimarães para apresentação de um muito aguardado solo de piano, “Flow Me”, ou de Guilhermo Torres, Tomás Gris e David Area, membros do grupo que toca no recente “Aleph”. No alinhamento do Creative Fest deste ano estava também uma actuação da Variable Geometry Orchestra, para gravação de mais um CD a editar pela Creative, e se as restantes performances não correspondiam a discos em circulação ou planeados, eram protagonizadas por gente “da casa”, casos de Carlos Santos, em dueto com Emídio Buchinho, ou de José Oliveira, num regresso aos palcos com parâmetros inesperados – um solo vocal –, ele que habitualmente surgia como percussionista.
Mas o Creative Fest não serve apenas para fazer o ponto da situação anual da Creative Sources. Nele mais uma vez foi possível ouvir projectos não-alinhados que há pouco tempo tiveram o seu arranque, como a parceria entre Maria Radich e Maria do Mar e o trio de Yedo Gibson, Jorge Nuno e Monsieur Trinité, além de encontros inéditos de músicos nacionais com estrangeiros, como a associação de Ernesto Rodrigues e Miguel Mira a Fred Lonberg-Holm, e de estreias absolutas de novas formações, como aquela – fora de série, pelo que se ouviu – que junta Rodrigo Pinheiro e Nuno Torres.

A plateia do O’Culto da Ajuda estava numerosamente preenchida por músicos de várias tendências (por exemplo, Marco Barroso, Gil Dionísio e Nuno Moita, figuras que não identificamos com o universo Creative Sources), o que é um sinal curioso do apreço da comunidade pelo trabalho desenvolvido por este grupo de pessoas. A Creative Sources pode não ter a relevância mediática da Clean Feed, apesar do nascimento de ambas mais ou menos pela mesma altura e de, como aquela, ter um catálogo que ronda os 400 títulos (sim, 400!), mas a importância que vai tendo para a cena internacional da improvisação livre é muito semelhante à que relativamente ao jazz tem a editora liderada por Pedro Costa. Algo a que não se está a dar a devida importância, num país tradicionalmente indiferente à criatividade dos seus artistas e aos feitos dos seus promotores culturais. A jazz.pt assistiu às prestações das duas Marias, do duo de Pinheiro e Torres e do de Lopes com Lonberg-Holm…  [...] De resto, a esse nível, a mensagem que passou foi a de que improvisar, por estes dias, não tem uma cartilha. O Creative Fest é um medidor de tendências a que devíamos dar toda a atenção, e esta edição esclareceu mais alguns pontos evolutivos. Venha a próxima. Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)

quinta-feira, 7 de julho de 2016

ALBUNS OF THE YEAR 2015: "LULU AUF DEM BERG"



photo: Ernesto Rodrigues

Ernesto Rodrigues’ haunting freeform orchestra returns with a massive, reverberating slab of sound. A great example of how a deft conductor can overcome the problems of large-scale improvisation. Dan Sorrels (The Free Jazz Collective)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

IMPROVISAÇÃO DESCARNADA



Photo: Ernesto Rodrigues, Eduardo Chagas & Carlos Santos

Antes de mais, saúde-se o magnífico trabalho da editora que acaba de publicar este disco. Registado na lombada como “CS299”, este lançamento representa a 299ª edição da label Creative Sources, fundada e sedimentada por Ernesto Rodrigues ao longo da última década e meia. Três centenas de gravações de música improvisada, juntando muitos músicos portugueses e alguns grandes nomes da cena internacional, merecem justamente a celebração. E merece um aplauso especial por se tratar de uma música muito específica, sem apelo comercial. Ao longo de todos estes anos a Creative Sources tem apresentado um trabalho sério de edição regular, com qualidade e coerência estética. Trata-se de improvisação pura, com ênfase na vertente reducionista, mas não só: o catálogo vai da improvisação mais abstracta até às fronteiras do jazz. Nuno Catarino (BodySpace)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

L'ART D'ERNESTO RODRIGUES, LE VIOLONISTE ALTO



photo: Ernesto Rodrigues

Parmi les musiciens nouveaux venus dans la scène improvisée radicale internationale au début des années 2000 et qui apportèrent une nouvelle dimension au développement de la musique improvisée, il est impensable d’omettre l’altiste portugais Ernesto Rodrigues. J’imagine que le critique lambda pensera « Ah oui, il a un label et il joue aussi ». Mais il se fait  que son catalogue a atteint 340 références en offrant des produits soignés avec des prises de son impeccables tout en publiant exclusivement les musiques les plus pointues. Point de ralliement d’une nouvelle génération « réductionniste » (Denzler, Guionnet, Mariage, Sehnaoui frère et sœur, Mazen Kerbaj, Birgit Ulher, Heddy Boubeker, Rhodri Davies, Masafumi Ezaki, Rodrigues père et fils, Jason Kahn, Axel Dörner, Wade Matthews, Stéphane Rives, Bertrand Gauguet, David Chiesa, Boris Baltschun, Kai Fagaschinski, Carlos Santos et nombre d’artistes sonores expérimentaux), le catalogue CS s’est étoffé petit à petit avec des artistes tels que Richard Barrett, Stefan Keune, Jacques Demierre, Ute Wassermann, Alexander Frangenheim, Jacques Foschia, Isabelle Duthoit, Ariel Shibolet.. Sans pour autant rechercher les pointures, c’est un peu par hasard qu’on y trouve Jon Rose, Roger Turner, Gunther Christmann ou Urs Leimgruber et quelques chefs d’œuvre comme ceux que je viens de chroniquer cette semaine. Non content de travailler comme un fou pour son label, Ernesto Rodrigues a rencontré une multitude d’improvisateurs de quasiment tous les pays d’Europe, suscitant de superbes rencontres. Très austère au départ, sa pratique de l’instrument me l’avait fait qualifier (en souriant) de travail d’ébéniste, tant son chantournage maniaque faisait crisser et grincer l’archet comme si c’était un couteau à bois dans mobilier squelette, univers où la pulsation même la plus décalée et la moindre trace de mélodie était inexorablement évacuée. On aurait cru que les bois de son violon alto et du violoncelle de Guilherme gémissait et criait sous une torture sadique. Cet univers à la fois cartésien et intériorisé a culminé dans London, un enregistrement de concert assez court avec son  fils Guilherme au violoncelle, Alessandro Bosetti au sax soprano, Angarhad Davies au violon, et Masafumi Ezaki à la trompette, ou Drain, un intrigant trio de cordes avec Guilherme Rodrigues, à nouveau, et le violoniste Mathieu Werchowski. Jean-Michel van Schouwburg (Orynx)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

LES CREATIVE SOURCES NE SE TARISSENT POINT


photo: Ernesto Rodrigues

Creative Sources  est devenu un label qui compte au fil des ans avec un catalogue énorme (plus de 330 références). S’il fonctionne sur le mode de l’auto-production des artistes impliqués, Ernesto Rodrigues  veille à ce que la musique produite révèle de nouveaux talents, des produits soignés, une recherche expérimentale assumée et intéressante ou de l’improvisation libre pointue de haute qualité, exigeante. De plus en plus souvent, on y découvre de vraies perles dans le domaine de l’improvisation libre, au-delà du parti pris de la démarche réductionniste radicale, new silence, soft noise, EAI (etc) sans concession qui fut la marque de fabrique de CS à leurs débuts et dont Ernesto est un remarquable praticien. Un vrai plaisir de l’écoute partagé. En outre, le graphisme des pochettes cartonnées (depuis peu!) est superbe grâce au travail du fidèle Carlos Santos.  Le noyau de Rodrigues père et fils (Guilherme) ont produit des dizaines d’albums intéressants dans une belle démarche radicale en compagnie d’improvisateurs issus d’horizons divers. Certains albums sont réellement de vraies réussites comme l’orchestre IKB. Et donc, comme plusieurs labels historiques passent tout doucement la main (Incus, Emanem, Psi, FMP, NurNichtNur), d'autres cessent leur activité ou s’alignent sur un jazz libre de bon aloi (Intakt), notre label portugais est devenu une référence incontournable. Jean-Michel van Schouwburg (Orynx)

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

CREATIVEFEST 9


photo: Ernesto Rodrigues

Contando este ano com 14 anos de actividade ininterrupta, num catálogo imponente com mais de 300 edições, a editora de Ernesto Rodrigues tem vindo a sedimentar uma visão profundamente idiossincrática por entre os meandros da música improvisada, com um vigor e propriedade únicos. Embora habitualmente conotada com as estratégias da improvisação lower case e do reducionismo, que têm no seu mentor um dos nomes mais fulcrais, não se esgota nesses pressupostos, abrindo espaço para edições tangentes a alguma electrónica mais abstracta, ao jazz, à música contemporânea e electro-acústica e demais formas incatalogáveis com um sentido de direcção inatacável que se celebra em vários pontos da cidade e que tem na ZDB ponto de paragem natural e obrigatório nos dias 27 e 28. (ZDB)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

CREATIVE FEST REALIZA-SE DE 24 A 29 DE NOVEMBRO


photo: Ernesto Rodrigues and José Oliveira


A 9ª edição do Creative Fest, o festival que reúne a família da editora Creative Sources, realiza-se este ano entre os dias 24 e 29 de Novembro. Durante seis dias serão apresentados concertos de música improvisada em cinco espaços lisboetas diferentes. O festival arranca no dia 24 na Ler Devagar, na Lx Factory, que acolhe três concertos: quarteto de Paulo Galão, Paulo Gaspar, João Madeira e Alvaro Rosso; trio de José Bruno Parrinha, Ricardo Jacinto e Luís Lopes; e o ensemble "Suspensão", com Ernesto Rodrigues, Guilherme Rodrigues, Nuno Torres, Eduardo Chagas, António Chaparreiro, Carlos Santos, Miguel Mira e Nuno Morão. No dia 25 o O'Culto da Ajuda recebe a actuação do colectivo IKB, grupo de grande dimensão e formação variável. No dia 26 o Desterro vai acolher duas actuações: duo de Paulo Alexandre Jorge e Manuel Guimarães; e duo de Luís Vicente e Joaquim de Brito.

A Galeria ZDB vai acolher concertos em dois dias, nos dias 27 e 28. No dia 27, sexta-feira, há cinco concertos: solo de Simon Vincent; solo de Maria da Rocha; duo "Sirius" de Yaw Tembe e Monsieur Trinité; trio de António Chaparreiro, Bernardo Álvares e Nuno Morão; e "Lost Socks" de Marco Von Orelli e Sheldon Sutter. No sábado, 28, a ZDB recebe mais cinco concertos: trio de Maria do Mar, Luís Rocha e Adriano Orrú; e ADDAC Quarters, de André Gonçalves, Filipe Felizardo, Nuno Moita e Ricardo Guerreiro; trio de Albert Cirera, Abdul Moimême e Alvaro Rosso; "Angel Trio" de Stephan Sieben, Adam Pultz e Hakon Berre com o convidado Paulo Chagas; e quinteto de Ernesto Rodrigues, Guilherme Rodrigues, Nuno Torres, Eduardo Chagas e Carlos Santos.

O festival encerra no domingo, dia 29, às 17h00 na Igreja de St. George, com a actuação da Variable Geometry Orchestra, ensemble de grande dimensão que vai reunir no mesmo palco a maior parte dos anteriores participantes no festival. Nuno Catarino (Bodyspace)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

VEM AÍ UMA SEMANA DE CREATIVE FEST



photo: Ernesto Rodrigues / VGO


Dura toda uma semana, de 24 a 29 de Novembro. É a mais longa edição do festival da Creative Sources, o outro caso de sucesso, a par da Clean Feed, da edição discográfica portuguesa na área da improvisação, com alguma electroacústica e algum jazz à mistura entre mais de 300 títulos publicados. Serão quatro os locais ocupados pelo Creative Fest, a Ler Devagar (Lx Factory), o Desterro, o O’Culto da Ajuda, a ZDB (o único espaço em que o evento se realizará em dois dias consecutivos) e a St. George’s Church, sempre em Lisboa.
Serão três os concertos da Ler Devagar, a 24. Primeiro um quarteto reunindo dois clarinetistas Paulo Galão e Paulo Gaspar, e dois contrabaixistas, João Madeira e Alvaro Rosso, depois o trio de José Bruno Parrinha (clarinetes e saxofones), Ricardo Jacinto (violoncelo) e Luís Lopes (guitarra eléctrica) e finalmente o ensemble Suspensão, com Ernesto Rodrigues (viola), Guilherme Rodrigues (violoncelo), Nuno Torres (saxofone alto), Eduardo Chagas (trombone), António Chaparreiro (guitarra eléctrica), Carlos Santos (electrónica), Miguel Mira (contrabaixo, em vez do seu habitual violoncelo) e Nuno Morão (percussão).
A 25, no O'Culto da Ajuda, será a vez do IKB, colectivo inspirado no tipo de azul ultramarino sintético inventado pelo artista plástico Yves Klein e que conta com uma formação variável reunida a partir da nata da música improvisada, do jazz, da electrónica e das novas tendências praticadas na Grande Lisboa. No dia 26 passa-se para o Desterro, onde haverá uma dupla de duetos, com Paulo Alexandre Jorge (saxofones) e Manuel Guimarães (baixo eléctrico, a sua nova descoberta) e, após intervalo, Luís Vicente (trompete) e Joaquim de Brito (berimbau).
Na ZDB, a 27, serão cinco as prestações. A dois solos de Simon Vincent (electrónica) e Maria da Rocha (violino) seguem-se o projecto Sirius de Yaw Tembe (trompete, electrónica) e Monsieur Trinité (percussão, objectos), o trio de António Chaparreiro, Bernardo Álvares (contrabaixo) e Nuno Morão e os Lost Socks de Marco von Orelly (trompete) e Sheldon Sutter (bateria), ou seja, a metade suíça dos Big Bold Back Bone.
O dia seguinte, ainda na ZDB, abre com o triângulo de Maria do Mar, Luís Rocha (clarinetes) e Adriano Orrú (contrabaixo), este ano estreado no MIA, e o ADDAC Quarters de André Gonçalves, Filipe Felizardo, Nuno Moita e Ricardo Guerreiro, sendo de prever que este estará centrado na utilização dos sintetizadores modulares ADDAC, de Gonçalves. Seguem-se o saxofonista Albert Cirera com Abdul Moimême (guitarra eléctrica preparada) e Alvaro Rosso, o Angel Trio de Stephan Sieben (guitarra eléctrica), Adam Pultz (contrabaixo) e Hakon Berre (bateria) com Paulo Chagas (oboé, flauta, clarinetes, saxofones) como convidado e um quinteto com Ernesto Rodrigues, Guilherme Rodrigues, Nuno Torres, Eduardo Chagas e Carlos Santos.
O fecho faz-se no fim da tarde de 29 de Novembro, na St. George’s Church, com a Variable Geometry Orchestra, juntando a maior parte dos anteriores participantes do festival no prosseguimento do trabalho apresentado no recentíssimo “Lulu Auf Dem Berg”. Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)

terça-feira, 22 de setembro de 2015

EXPERIMENTAL MUSIC IN THE AZORES


photo: Ernesto Rodrigues

Violinist/violist, composer, and improviser Ernesto Rodrigues lives in Lisbon but also has a house on Pico and runs the Creative Sources label, which appears to be a great entry point into current Portuguese improvised music. I first encountered him in a video by artist Emanuel Albergaria, improvising with Gianna de Toni, an Italian guitarist and bassist living in Ponta Delgada, São Miguel, where she teaches guitar in the conservatory. She's involved in various musical activities, playing classical guitar, in symphonies and jazz groups, and in a contemporary folk group with Rafael Carvalho (she's also featured in the version of Roxanne mentioned above). Rodrigues and de Toni can be heard together on the CD Trees, an album of beautiful free improvisations with cellist Guilherme Rodrigues, soprano saxophonist Christophe Berthet, and electric bassist Raphael Ortis. Here is a live recording of Rodrigues in a quartet with Guilherme Rodrigues, Jassem Hindi, and Tisha Mukarji. Steve Peters (Deep Songs)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O OUTRO LADO DA CREATIVE SOURCES


photo: Ernesto Rodrigues, Nuno Torres & Maria Radich

O outro lado da Creative Sources

A editora de Ernesto Rodrigues não publica apenas as novidades do reducionismo e da improvisação electroacústica. O seu catálogo inclui também alguns títulos com instrumentações mais convencionais e um mais claro alinhamento com o jazz. Analisamos aqui sete exemplos recente.

A Creative Sources é habitualmente identificada com a corrente reducionista da improvisação, e quando assim não acontece o que se sublinha é o seu alinhamento com as actuais tendências da música electroacústica tocada em tempo real. E no entanto… o selo lisboeta dirigido pelo violetista Ernesto Rodrigues lança, igualmente, alguns registos do autodesignado jazz criativo ou próximos da tradição do free jazz. Aqui em análise estão sete exemplos (mais do que se poderia esperar, na verdade) desse investimento lateral, publicados no último ano.
Se não fossem alguns dos nomes mais conhecidos (John Edwards, Mark Sanders, Jacques Di Donato, Floros Floridis, Alexander Frangenheim, Roger Turner…), a consulta dos instrumentários nas fichas técnicas bastaria para perceber que estes discos não condizem com a orientação habitual da editora. As combinações de timbres são bem mais convencionais, com a clássica secção rítmica com bateria, contrabaixo e, às vezes, piano atrás de um ou mais sopros e de outros instrumentos melódicos e solistas. Ainda que as músicas tocadas fujam aos padrões e pouco fique das jazzísticas hierarquizações de naipes.

Como não podia deixar de ser, esta outra, e menos comentada, vertente da Creative Sources surge com vários matizes. Pode ir desde a mais explícita incursão na estética do grito inaugurada por Albert Ayler, aquilo a que os improvisadores mais experimentais chamam – mal ou bem – ”old school”, até uma música exploratória com vagas ligações reminiscentes com a gramática e o património do jazz. Entre um “estado” e o outro passando por diversos níveis de relacionação com essa matriz, entre distanciamentos e aproximações.  Vejamos como, caso a caso… Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

ERNESTO RODRIGUES - REDUX MAXIMUS


photo: Ernesto Rodrigues, Nuno Torres & Guilherme Rodrigues

Ouvir os últimos registos do improvisador português que mais discos tem editados é observar a presente evolução da tendência de que é o principal representante neste país: o reducionismo. Em análise 14 títulos que revelam as novas características desta corrente e o papel que nelas está a ter o violetista de Lisboa.
Ernesto Rodrigues é o músico improvisador português que tem mais discos editados. A circunstância de ser o responsável de uma etiqueta, a Creative Sources, não é estranha a esse facto, como se torna evidente, mas a verdade é que a sua capacidade de produção parece inesgotável. E sendo ele o protagonista de uma das frentes da corrente reducionista, colocando Lisboa a par de Londres, Paris, Berlim, Tóquio e Beirute, as mais importantes, a quantidade e as características dos títulos que vai publicando permitem que fiquemos com uma perspectiva da própria evolução da tendência estética que, na improvisação, trocou o fraseado pelas texturas e as progressões harmónicas ou os modalismos por um foco no timbre sem tom definido.
Os registos aqui analisados são os seus mais recentes e demonstram bem que o igualmente chamado “near silence” está a sofrer transformações que não há muito julgaríamos improváveis. Uma, e talvez a que tem mais impacto, é a colocação de uma perspectiva de espaço em primeiro plano. Espaço preenchível em termos sonoros e projecção desses sons, espacialização, no local das performances, com a arquitectura, o meio, a definir o que se toca. Outra mudança detectável na música de Rodrigues em diversas formações é a repetição de elementos sónicos e, inclusive, sua articulação até formar uma sentença, algo que se considerava um tabu.
Reposto está igualmente o factor de dramatização com que se tinha cortado para contrariar os excessos expressionistas da “old school”: estão aí novamente as lógicas ascensionais, de clímax e de criação de atmosferas e estados de espírito. O que implica que voltou, também, o sentido de narrativa, por menos linear que esta seja. O reducionismo de Ernesto Rodrigues e dos seus parceiros aumentou de tamanho: é mais activo, mais atarefado. Mesmo que o volume se mantenha baixo, há muitas coisas a acontecer. Mas os próprios decibéis subiram – por vezes, estes desenvolvimentos da escola reducionista parecem encontrar-se com a noise music.
É hoje maior a distância destes álbuns relativamente aos fundamentos originais da “nova música improvisada”, aqueles provenientes do indeterminismo de John Cage e, sobretudo, Christian Wolff, do colectivo de compositores Wandelweiser, do onkyo japonês e da tendência lowercase da música por computador. Neles há um mais solto trabalho de dinâmicas e até é possível encontrar, entre as gerais abstracções, assumidos e convencionais tonalismos.

Não é Ernesto Rodrigues e o reducionismo que se estão a moderar ou a ceder aos usos instalados. Esta continua a ser uma das poucas áreas que mais inovações técnicas e de vocabulário têm trazido à música. Simplesmente, a prática reducionista libertou-se – sinal de maturidade – do peso que alguma inclinação dogmática nela estava a ter. Havia demasiadas proibições para que este tipo de improvisação fosse realmente espontâneo. Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)

quarta-feira, 1 de abril de 2015

TODD McCOMB'S JAZZ THOUGHTS



photo: Ernesto Rodrigues, Carlos Santos, Nuno Torres & Guilherme Rodrigues

Although I described Sediment as "capping" 2014, and indeed it's the latest release I've added to my favorites for last year, there's still at least one more 2014 album to discuss in this space: Primary Envelopment by Wade Matthews & label curator Ernesto Rodrigues on Creative Sources, with Javier Pedreira & Nuno Torres. I didn't hear Primary Envelopment until recently, because I was waiting for the Creative Sources releases to come to USA, but that hasn't happened since the first half of last year — I don't know why. In any case, while having USA distribution is more convenient, between the vagaries of international shipping, and places like Squidco including things like recording dates & sound samples online, the recordings are & have been available straight from the label in Portugal, which is where I turned. I'm dwelling on this aspect a bit, because I'm concerned about people being able to hear the many interesting releases that Ernesto Rodrigues produces. Creative Sources has over 300 titles now (and I'll have to make another order for some of the latest), including many unique offerings. Indeed, I keep learning that a musician whom I "discover" only recently via other channels had a release on Creative Sources years ago. So that's impressive, and Rodrigues obviously has a great ear: The label has a reputation for a lot of similar releases, and Rodrigues's own blog does mention "refinement & restraint" and a focus on texture, but these qualities can make for vastly different results. The label also has quality design & packaging, even if their online information seems a little sparse (like the music?) at times. Todd McComb (medieval.org)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

SONIC SCOPE FESTIVAL 2015


photo: Ernesto Rodrigues & Carlos Santos

O segundo dia do Sonic Scope arrancou com um quarteto do patrão da editora Creative Sources, Ernesto Rodrigues (foto no topo), com Nuno Torres, Guilherme Rodrigues e Carlos Santos. Em modo reducionista, como estes músicos nos têm habituado, segundo o mote dado pelas várias culturas em que é sinal de sabedoria falar pouco ou em baixo volume. Qualquer guinchar de cadeiras ou chão, qualquer passo de alguém que estava no concerto errado a sair da sala se tornava música a acrescentar a este ensemble que vive tanto da sua precisão cirúrgica como das forças do acaso, criando melodias esquisitas nas entrelinhas (micro-pressão dos arcos, micro-oscilações do sopro, um ligeiro tremer de mão…). A electricidade de Santos foi o sistema sanguíneo a bombear a orquestra de quase mudos, enquanto as cordas evidenciaram bem a madeira de que são compostas e Nuno Torres voltou a demonstrar que o segredo para o melhor som do mundo se encontra na saliva. Bernardo Álvares (Jazz.pt)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A NOVA IMPROVISAÇÃO EM PORTUGAL OU A FRAUDE, A VERGONHA E O ENGANO


photo: Ernesto Rodrigues


[…] Ernesto Rodrigues, tem vindo, especialmente nas últimas duas décadas, a realizar uma obra ímpar no campo da edição de música improvisada (criou a sua própria editora), bem como a realização de concertos e gravações de música improvisada, em especial, na estética do Near Silence, com quem tocou e gravou com o fundador desta nova tipologia musical: Radu Malaffati.
[…] Se para uma determinada geração de improvisadores, os nomes de Carlos Zíngaro e de Jorge Lima Barreto, foram referências importantes para a sua actividade como improvisadores, recentemente esse papel de “Guru”, é preenchido por dois músicos na cena musical improvisada: Ernesto Rodrigues (que tem uma série de discípulos, a maior parte deles, não-musicos) e Sei Miguel (seguido por fiéis servos, também grande parte deles constituídos por não-músicos).
[…] Se Ernesto Rodrigues tem uma técnica instrumental que vai da clássica às mais avançadas técnicas instrumentais, já Sei Miguel, tem uma técnica própria de um auto-didacta e que como tal, se pôde dar ao “luxo” de aperfeiçoar o timbre em favor da técnica virtuosa. [...]  Vítor Rua (Algarve Hoje)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

STARK BEWÖLKT KONZERTREIHE FÜR AKTUELLE MUSIK


photo: Ernesto Rodrigues with Nuno Torres and Nuno Morão

Ernesto Rodrigues + Nuno Torres
A Lisbon duo, viola and alto saxophone. The musical focus on exploration of sounds and textures. A non conventional instrumental language, playing with notions of timbre, plasticity and color. An aesthetic free form of improvisation within minimal approach. Nearing silence and privileging a close relationship with the acoustic space. An overall music experience of intimacy and detail.
(Stark Bewölkt)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CREATIVEFEST#8 AT ZDB


photo: Ernesto Rodrigues with Nuno Torres, Bruno Parrinha and Ricardo Guerreiro

Pelo terceiro ano consecutivo acolhemos o Festival Creative Sources, mostra superlativa do catálogo da influente e multifacetada etiqueta de música experimental improvisada, fundada por Ernesto Rodrigues..

Fundada pelo músico Ernesto Rodrigues em 1999, a Creative Sources é uma das mais importantes editoras a nível mundial no campo da música experimental e electro-acústica. Aproveitando a edição de ‘Caixa-Prego’ do Trio Bande à Part, acolhemos um festival exclusivamente dedicado a este catálogo.
Duas noites dedicadas ao fervor criativo da improvisação com uma sequência de espectáculos de diversas formações. Participarão neste evento nomes ligados à improvisação como Sei Miguel, Rodrigo Pinheiro, Bande à Part, Yaw Tembe e até mesmo o responsável da editora, Ernesto Rodrigues. (ZDB)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

PRÁTICA E RECEÇÃO DA MÚSICA IMPROVISADA EM PORTUGAL: 1960 a 1980


photo: IKB Ensemble

Ernesto Rodrigues (n. 1959), violinista, constitui-se como outro exemplo de músicos improvisadores que iniciaram a sua atividade no final dos anos 70, início dos anos 80, com Carlos Bechegas e Jorge Valente, tendo sido influenciado pelo grupo Plexus, de Carlos Zíngaro. A sua linha estético-musical desenvolveu-se, no entanto, a partir de fundamentos distintos dos do free jazz, centrando-se na exploração de texturas sonoras acústicas e eletrónicas mais próximas da corrente denominada near silence180, tendo vindo a fundar a editora Creative Sources, em 1999, vocacionada para a música improvisada, e o grupo de improvisação Variable Geometry Orchestra, em 2000.
Manuel Guimarães (Tese de Mestrado)

TEMPORADA MISO MUSIC PORTUGAL EM RESIDÊNCIA NO IFP (2009)




photo: Ernesto Rodrigues and Neil Davidson

Concerto de música de câmara electroacústica para seis músicos, baseada em improvisação estruturada próxima da corrente estética "near silence" ou reducionista. A abordagem de cada músico aos diferentes instrumentos, neste caso, cordas acústicas e eléctrica, percussão, saxofone, trompete e electrónica, põe em evidência a exploração textural e sonora dos timbres em situações de micro-grupos ou em densidades e dinâmicas de conjunto, acentuando a sua relação com o espaço envolvente. Esta reunião de intérpretes/ compositores é protagonizada por Ernesto Rodrigues que desde há cerca de 20 anos se apresenta como um dos violinistas mais importantes do panorama musical português, abarcando diversos estilos, desde a música contemporânea, ao free-jazz, à música improvisada ao vivo e em estúdio. (Miso Music)

sábado, 15 de novembro de 2014

CREATIVE SOURCES 2012-2014: IMPROVISAÇÃO CONTÍNUA



photo: Ernesto Rodrigues with Nuno Torres and Nuno Morão


Ao leme da editora Creative Sources o violista Ernesto Rodrigues tem sido responsável pela construção de um arquivo sonoro que já se aproxima dos trezentos volumes. Fundada no ano de 2001, e actualmente já com 285 discos editados, a editora tem hoje em dia um catálogo fenomenal, verdadeiramente representativo daquilo que é a improvisação no século XXI. Especialmente associada ao reducionismo, a editora não se tem limitado a uma estética única, com algumas aproximações ao FREE jazz e à improvisação mais abrangente, promovendo sobretudo músicas que privilegiam o detalhe e o pormenor sonoro. Pelas edições da Creative Sources têm passado músicos portugueses essenciais (como Manuel Mota, Margarida Garcia, Hernâni Faustino, Rafael Toral ou Sei Miguel), além de figuras internacionais (como Peter Evans, Radu Malfatti, Oren Marshall, Rhodri Davies, Axel Dörner, Mazen Kerbaj, Dan Warburton, Urs Leimgruber, Tetuzi Akyiama, Christian Lillinger, Jean-Luc Guionnet, entre muitos outros). Na continuação ao TRABALHO de revisão da obra da editora (depois de termos passado pelos períodos de 2005-2006 e 2007-2010), fazemos agora uma recapitulação ao trabalho mais recente da editora, com uma selecção de álbuns editados nos últimos três anos, todos contando com a participação do violista e mentor da editora, Ernesto Rodrigues. A improvisação continua. Nuno Catarino (Bodyspace)

CREATIVEFEST#8


drawing: rita draper frazão


Alto nível

Com nove concertos divididos em três dias, na Galeria Zé dos Bois e na Igreja de St. George, o festival da editora Creative Sources juntou uma boa parte dos músicos activos na cena da improvisação em Portugal. O nível esteve sempre por cima.

Nos dias 7, 8 e 9 de Novembro aconteceu a oitava edição do Creative Fest, o festival da editora Creative Sources. Esta já se aproxima dos 300 títulos editados, numa linguagem de modo geral próxima do near silence, e alinhou para o efeito uma mescla de formações trabalhadas regularmente e outras em estreia absoluta, com concertos entre a ZDB e a Igreja de St. George, em Lisboa. 

Desordeiramente

A abrir o primeiro dia tivemos um trio constituído por Paulo Curado na flauta, Miguel Mira no violoncelo e João Madeira no contrabaixo. Mira e Madeira têm vindo a desenvolver uma proveitosa parceria, nomeadamente no projecto Sopa da Pedra, com a trompetista Hilaria Kramer. A dupla de graves em festa apresentou-se desta vez com Curado, evidenciando uma sólida união entre estes músicos. Numa actuação algo curta, o trio apresentou-se coeso sobre um pulsar comandado por Mira e seguido desordeiramente pelos restantes elementos.

De seguida tocaram Albert Cicera nos saxofones, Hernâni Faustino no contrabaixo e Rodrigo Pinheiro na electrónica. Todos os concertos do festival, com mais ou menos decibéis, se enquadraram numa linguagem abrangente associada ao experimentalismo e à improvisação. Sem fugir a esse género alargado, esta actuação evocou o seu quê de “chill out”, banhando a Galeria Zé dos Bois com um “feeling” de praia no Inverno, talvez muito por culpa de Pinheiro.

O também pianista criou uma envolvência electrónica a lembrar o som de ondas no mar. Se Rodrigo Pinheiro foi a maré, as cordas granosas do contrabaixo de Faustino foram a areia. O sopro de Cicera foi o vento carregado de maresia salgada, ora mais contido, ora num final mais melódico e expansivo, como se John Lurie estivesse em São Pedro de Moel num dia mau de Dezembro.

O terceiro de quatro concertos do primeiro dia contou com José Bruno Parrinha no clarinete, Yaw Tembe no trompete e Guilherme Rodrigues no violoncelo. Foi o concerto mais reducionista do dia, com momentos de evidente tensão silenciosa. Rodrigues é peixe dentro de água neste registo, ao contrário de Parrinha e Tembe, que por vezes resvalavam para zonas mais cinzentas. O som geral ganhava sempre que havia cedências no braço de ferro idiomático e ou se assumia a contenção ou se libertavam os sopros para cenários em que pudessem cantar à vontade.

O último concerto da noite era também o mais esperado. A sala encheu-se para ouvir os Bande à Part a comemorar o lançamento do seu primeiro disco, “Caixa Prego”. A banda é constituída por Joana Guerra no violoncelo, Ricardo Ribeiro nos clarinetes e Carlos Godinho na percussão. Tocando num registo a respirar sangue e ideias novas e contendo em si todos os ensinamentos retirados da velha guarda da improvisação portuguesa, este trio reúne o melhor de dois mundos.

Excluindo o prolífero e eterno duo de Sei Miguel e Fala Mariam, os Bande à Part foram o grupo mais continuado de todo o festival, e isso ouviu-se, distanciando-os das formações ad-hoc. O conhecimento mútuo e os papéis complexos e mutáveis bem definidos entre os três fazem deste um dos projectos mais sólidos e interessantes da cena actual de música improvisada em Portugal. Mereciam um lançamento de disco com mais destaque, embora se tenham inserido muito bem na programação deste Creative Fest. 

Do caos ao xadrez

O segundo dia de concertos na ZDB começou com um duo do percussionista José Oliveira e da cantora Maria Radich. Para além de uma panóplia de pequenos objectos sobre um timbalão de chão, o primeiro usou uma concertina, “field recordings” e um balde com água. Mesmo com as luzes reduzidas, esta não deixou de ser uma apresentação muito visual, com Oliveira a multiplicar-se entre instrumentos com grande presença cenográfica e Radich, também bailarina, a usar o corpo como complemento natural da voz. Qualquer um dos três duos da noite se poderia dividir entre yins e yangs: neste caso, José Oliveira estaria remetido a um papel de natureza na sua busca por um caos inato e Maria Radich emprestava a sua voz a civilizações inteiras.

Sei Miguel (trompete) e Fala Mariam (trombone) reinterpretaram de seguida o tema “Asterion”, peça escrita e estreada em 1999 e parte do disco “Ra Clock”, cuja interpretação conta com os músicos Monsieur Trinité e Paulinho Russolo, para além de Miguel e Mariam. Sei Miguel introduziu a peça com uma explicação: o minotauro (Asterion – meio homem, meio animal, meio divino) condenado a passar a sua vida a percorrer um labirinto é mais representativo da condição humana do que o herói que o mata.

O trompete, enquanto instrumento associado à tourada, tem nesta peça um papel ambíguo. O ataque das notas de Sei Miguel representa tanto a melodia de um Teseu toureiro celeste, como a complexidade associada à existência da criatura mitológica. Já o trombone é um yin assumido da escuridão monstruosa do minotauro, o bom diabo. O não-jazz de câmara mediterrânico ali ouvido deixou-nos a chorar por mais.

Seguiu-se um duo de electrónicas, por João Silva e Carlos Santos. Sentados frente a frente, utilizando uma mesma mesa de mistura e objectos amplificados, remeteram-nos para um cenário bergmaniano no qual ambos jogavam xadrez contra a morte. Se Santos pode ter uma propensão para os sons inorgânicos, Silva trouxe consigo uma bagagem cheia da filosofia e da sonoridade asiáticas. O jogo de xadrez acabou empatado entre a musique concrète e o “drone”.

Sugerem os estudiosos desta matéria que a música surgiu com a repetição dos ritmos dos passos, das enxadas a cavar e do grito transformado em canto. Ritmo e melodia organizados de acordo com padrões reconhecíveis. Ora, aquilo que se pôde ouvir neste festival em geral e no último concerto do segundo dia em particular foi uma organização sonora de acordo com pormenores do mundo audível que poderão facilmente passar despercebidos. O trio composto pela principal figura da Creative Sources, Ernesto Rodrigues, na viola, Nuno Torres no saxofone alto e Nuno Morão na tarola explorou, sobretudo, esse mundo de subtilezas.

Aquilo que poderá passar por estranheza para a maioria talvez o seja devido à falta de atenção àquilo que nos rodeia. Por essa ordem de ideias, Torres parecia saído de outro planeta, emanando sons para os quais não há onomatopeias satisfatórias. Mestre na arte da tensão, Rodrigues geriu pacientemente as suas intervenções. Não haverá muitos percussionistas à altura da ingrata e difícil tarefa de acrescentar alguma coisa num registo reducionista, mas Morão foi responsável por muita da cor ouvida no último concerto a ocorrer na ZDB. 

Rhinocerus

Ficou guardado para a Igreja de St. George o último concerto do Creative Fest, com o IKB Ensemble, também a comemorar o lançamento de um CD, “Rhinocerus”, gravado ao vivo no Panteão Nacional. O colectivo reuniu 18 músicos, a saber Ernesto Rodrigues, Marian Yanchyk, Guilherme Rodrigues, Miguel Mira, José Oliveira, Maria Radich, Bruno Parrinha, Paulo Curado, Nuno Torres, Yaw Tembe, Eduardo Chagas, Gil Gonçalves, Abdul Moimême, Armando Pereira, Rodrigo Pinheiro, Carlos Santos, João Silva e Nuno Morão. A maioria dos membros do IKB participou nas formações que tocaram nos dias anteriores do festival.

Mais do que um grande número de pessoas a tentar tocar pouco e baixinho, este “ensemble” quase-near-silence primou pelas dinâmicas estereofónicas que causam um imenso impacto. Embora com poucos devotos na igreja, o naipe de instrumentistas muito rico em timbres cumpriu com PROFISSIONALISMO e sentido de compromisso um bom concerto, que esperemos que resulte em mais uma edição Creative Sources. Bernardo Álvares (Jazz.pt)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

ALG-A LAB - VIGO


photo: Ernesto Rodrigues with Maria Radich

Ernesto Rodrigues é un dos grandes nomes da improvisación electroacústica (http://rateyourmusic.com/genre/EAI/). A súa práctica privilexia o imprevisible a partir do encontro creativo con outros músicos nos máis diversos contextos. O seu extenso traballo está sobre todo documentado en Creative Sources, editora que inicou en 2001 e que é hoxe unha das máis relevantes do panorama internacional. Ricardo Guerreiro (ordenador) colaborou regularmente con ER ao longo dos últimos anos sexa en grupos como IKB ou en formacións máis reducidas ao lado de nomes como Axel Dörner ou Radu Malfatti. O saxofonista Bertrand Gauguet, un dos músicos máis interesantes e activos da actualidade, visita a península ibérica para unha pequena serie de concertos con este trío, que ten inicio en Galicia e pasa polo Porto antes do concerto final no Panteón Nacional en Lisboa. (Alg-a Lab) 

terça-feira, 20 de maio de 2014

CREATIVE SOURCES APRESENTA O SEU FESTIVAL


photo: Ernesto Rodrigues

A editora lusa Creative Sources, que celebrou o seu 100º lançamento com a edição do disco "Stills" da Variable Geometry Orchestra, apresenta o seu festival. No sábado, dia 10, a partir das 21h00, a Bomba Suicida (na Rua Luz Soriano, ao Bairro Alto) acolhe o festival Creative 01. Nesta noite será apresentada uma sequência de espectáculos de 13 duos, que actuarão cerca de dez minutos cada um. Participarão neste evento nomes ligados à improvisação como Adriana Sá, Davia Maranha, Rodrigo Amado, Sei Miguel, Hernâni Faustino, Peter Bastiaan, António Chaparreiro, Luís Lopes, Eduardo Chagas e até mesmo o responsável da editora (e da iniciativa), Ernesto Rodrigues. Nuno Catarino (Bodyspace)

CREATIVE SOURCES RECORDS


photo: Ernesto Rodrigues with Nuno Torres


Creative Sources Records, based in Portugal, was conceived in 1999 by violist/composer Ernesto Rodrigues as an outlet not only for his own work but for the kind of challenging, non-commercial music that appealed to him. The label originally released work by new music improvisers from Portugal and Spain, many but by no means all of them featuring Rodrigues. The label now issues work by musicians from both hemispheres and has put out fine performances not only by Rodrigues and his cellist son Guilherme, but also by Radu Malfatti, Mike Bullock, Axel Dörner, Ricardo Guerreiro, Gino Robair, Udo Schindler, Raed Yassin and many others.

Rodrigues came to adventurous improvisational music in the 1970s, a time when he listened to free jazz, the post-war avant-garde art music of Ligeti and Stockhausen, and the experimental work of Morton Feldman and John Cage. And one can hear in his music the influence of these latter two composers, particularly in the generally quiet dynamics and the ascendency of timbre over pitch that characterize much of his playing.

Although Creative Sources releases a diverse range of approaches to electro-acoustic improvisation, it does have an identifiable aesthetic. There are exceptions, of course, but an archetypal Creative Sources release will more likely than not contain sound art of refinement and restraint—qualities that summarize Rodrigues’ own playing quite well. In general the music texturally focused, developing gradually through nuanced shifts in shading, density and dynamics.

Several of Creative Sources’ recent releases serve as a good sampling of the label’s approaches to defining and exploring its particular aesthetic of improvisational sound art. Daniel Barbiero (Percorsi Musicali)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

FESTIVAL CREATIVE SOURCES 2013: CAGE ESTAVA LÁ




photo: Ernesto Rodrigues with IKB Ensemble


A ZDB recebeu mais uma vez o evento anual da improvisação reducionista nacional. Com algumas situações a saírem para fora desse enquadramento, ouviu-se música silenciosa e, a meter-se dentro dela – John Cage teria ficado deliciado –, o ruído das sempre festivas noites do Bairro Alto. Aqui ficam as imagens…
Durante dois dias, com um total de seis concertos, a editora discográfica portuguesa Creative Sources – rival da Clean Feed na quantidade de edições (cerca de 250) e na variedade internacional do seu catálogo – teve mais uma edição do seu festival. Decorreu a 4 e 5 de Outubro no Aquário da ZDB, em Lisboa, com uma programação que, uma vez mais, incidiu sobre a corrente “near silence”, com a música reducionista no interior a debater-se com o ruído que vinha da noite do Bairro Alto.
Excepção foi o Wind Trio de Paulo Chagas, Paulo Curado e João Pedro Viegas, ainda no rescaldo da edição de “Old School, New School, No School”, que enveredou por uma improvisação mais próxima do jazz…
O evento fez-se com a nata da casa organizada em várias formações, uma delas um ensemble mais alargado, com 11 elementos, e dois convidados especiais, o saxofonista soprano Christophe Berthet e o trompetista Louis Laurain.
Abdul Moimême e Eduardo Chagas tocaram em duo, Carlos Santos fez um solo e Ernesto Rodrigues, o responsável da Creative Sources, surgiu em dois contextos, à frente da orquestra e em quarteto com Guilherme Rodrigues, Ricardo Guerreiro e o referido Laurain. Por lá passaram também Maria Radich, Nuno Morão, José Oliveira, Bruno Parrinha, António Chaparreiro, Miguel Mira e Yaw Tembe, músico suazi radicado em Lisboa. Nuno Marins (Jazz.pt)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

MÚSICA GESTUAL


photo: Ernesto Rodrigues

O gesto tem cada vez maior importância na música do violetista português, e é por essa via que a sua improvisação reducionista está mais próxima dos conceitos aplicados na chamada noise music. Pois oiçamos os seus nove discos mais recentes…

A ideia de gesto nas artes tem um duplo atributo – respeita tanto ao resultado (uma pincelada, um som) como ao movimento que o produziu. Regra geral, porém, o que o apreciador da obra artística percepciona é a realização sem o movimento, sendo este apenas imaginado. E é neste ponto que se introduz um elemento desorientador, pelo menos no que à música diz respeito: há sequências sonoras que entendemos como gestuais, pelo modo como nos surgem na audição de um disco (regra geral, num concerto vemos o que ouvimos), mas dificilmente visionamos como foram realizadas – acontece tal, sobretudo, nas criações electroacústicas que aplicam os princípios do concretismo, com a anulação da “causa sonoris” para uma totalmente autónoma vivencialidade do som.

Se poderíamos dizer, assim sendo, que o desconhecimento da fisicalidade do gesto anula o seu efeito perceptível, o certo é que tal não acontece. Na música, a própria fisicalidade do som basta para concluirmos dessa abordagem gestual. Há um movimento intrínseco e uma imaginação do movimento, ainda que esta seja imprecisa. Os conceitos instalados quanto ao gestualismo sonoro têm como quadro a música escrita de tradição académica, vulgo “clássica” – o gesto está predefinido, restando apenas ser realizado em cada performance. Esse gesto pode ter uma curta duração, mas não é efémero. A notação estipula que se repita.

Quando se trata de música improvisada, prática iminentemente performativa, não há previsão e muito provavelmente também não haverá repetição. Nem por isso a importância do gesto se relativiza face à consequencialidade do som: este aconteceu e foi determinante para a trama que se desenvolve, mesmo que o seu momento passe depressa, para não mais voltar. Se essa improvisação é gravada, reencontramo-lo. O gesto musical improvisado pode ser fugaz, mas é tão efectivo quanto algo que cuidadosamente se coreografe.

Ernesto Rodrigues é um músico gestual e um improvisador, e a diferença que o seu gestualismo improvisado tem com o gestualismo clássico não está somente na inexistência de uma partitura que lhe conduza os movimentos. É a forma como utiliza o instrumento que define esse corte com a previsibilidade. Os sons que produz nem sequer são possíveis de notar, pelo menos convencionalmente – na maior parte dos casos não se trata de notas, ou seja, sons musicais, e sim de ruídos (por definição: sons “sem significado”) provocados pela manipulação de todo o corpo da sua viola (também da harpa, que toca em dois dos títulos aqui referidos, e da armação interior do piano).
Ora, o ruído consegue ser bem mais gestual do que um som temperado, um tom. Quando ouvimos um raspanço, imaginamos algo a raspar. O som é o gesto, o gesto é o som. Mas atenção: não é necessariamente uma unha sobre a madeira da viola que nos vem à mente. As possibilidades imagéticas são imensas, dando a este tipo de improvisação um carácter cinemático sem igual. Daí decorre que tanto a estética reducionista, tendência em que Rodrigues se insere, como a chamada “noise music” – também ela muito frequentemente improvisada – sejam ambas músicas gestuais, e exactamente pelos mesmos motivos. Nesse aspecto, pouca diferença faz que no reducionismo se proceda ao “close miking” do sussurro e que no noise se explore esse excesso de sinal sonoro a que se chama “feedback”.

O interessante nesta similitude de posicionamentos é o facto de a corrente reducionista estar gradualmente a assumir-se como uma música noise, uma música de ruído. O volume será, sem dúvida, consideravelmente mais baixo do que qualquer coisa que Merzbow e Pita façam, mas longe estão os lançamentos de que aqui damos conta da ortodoxia “near-silence” de há uns anos. 
[…] Ernesto Rodrigues vem colocando importantes deixas para análise no que respeita à estética reducionista, à utilização do ruído e à gestualidade da música. Basta ouvir com atenção e tirar as ilações…
Rui Eduardo Paes (Jazz.pt)

domingo, 30 de dezembro de 2012

CS



photo: Ernesto Rodrigues with Antez

Creative Sources a acquis la réputation de livrer à nos oreilles une avalanche d'enregistrements "radicaux" d'improvisation rédutionniste- expérimentale. On a découvert Bertrand Gauguet, Mazen Kerbaj, Birgit Uhler, Ruth Barberan, Jean-Luc Guionnet. Jason Kahn, Leonel Kaplan, Sharif Sehnaoui, Wade Matthews et Ernesto Rodrigues, bien sûr, ... etc etc ... et aussi des artistes tout à fait méonnus. Dans la masse, on avait l'impression que les perles étaient un peu noyées. Plus récemment, un quartet de Phil Minlon, Thomas Lehn, Ute Wassermann ct Martin Blume nous donnait à entendre de l'impro libre "traditionnelle" (si je peux m'exprimer ainsi).
Il semblerail que cette tradition revient en force dans le catalogue CS. On se croirait chez Emancm ou FMP.
 Jean-Michel van Schouwbourg